Exposição “A Arte deve perturbar, deve ter uma palavra a dizer sobre a nossa realidade”

A exposição estará patente na Casa do Professor de 15 de maio de 2026 a 31 de julho de 2026. A entrada é livre.

Vitor José Vieira (n. Portugal) é um artista cuja prática incorpora a rutura, a expressão e a urgência da reflexão. Formado na Escola Superior Artística do Porto (ESAP), é licenciado em Desenho Artístico e possui uma Licenciatura em Arte & Desenho, tendo posteriormente frequentado o Mestrado em Tecnologia e Arte Digital na Universidade do Minho, Guimarães. O seu trabalho combina um rigoroso fundamento técnico com uma busca inquieta por novas linguagens de expressão, abordando frequentemente temas como o conflito, a memória e a fragilidade da existência humana. Workshops de expressão artística moldaram ainda mais a sua abordagem, ancorando as suas criações tanto na investigação académica como na experiência vivida. Para Vieira, a arte não é um objeto decorativo, mas uma perturbação — um apelo para confrontar a realidade, resistir à complacência e questionar as narrativas que herdamos. Através da técnica mista e do expressionismo gestual, insiste no poder da pintura para inquietar e despertar.

Texto publicado no livro 100 artists of Europe da Culturale Lab (www.culturalelab.com)

A arte deve perturbar, deve dizer algo sobre a nossa realidade.” Vitor José Vieira

Legenda: GUERRA CIVIL ESPANHOLA (2010)
Vitor José Vieira (Vitor)
Dimensões: 70×90 cm
Técnica mista: fluidos mecânicos, acrílico, carvão, pastel sobre tela

Esta pintura revisita um dos capítulos mais sombrios da história europeia: a Guerra Civil Espanhola (1936–1939). Vieira sobrepõe técnica mista com intensidade crua — fluidos mecânicos, acrílico, carvão e pastel — sobre a tela, criando uma superfície que parece fraturada e erodida. Uma forma negra expande-se por uma paisagem chamuscada e dilacerada, evocando o calor abrasador da Catalunha, o último bastião de resistência. A própria textura parece degradada, como se a tela estivesse a colapsar sob o peso da memória, espelhando a decadência, a perda e a morte. As crianças, vítimas ao longo de gerações, persistem como uma presença invisível na obra — o seu trauma ecoando para o futuro. Expressionista e sem concessões, a pintura recusa o previsível; em vez disso, perturba, choca e força a reflexão sobre como a guerra se imprime não apenas no presente, mas também naqueles que ainda estão por vir.

Texto publicado no livro 100 artists of Europe da Culturale Lab (www.culturalelab.com).

A exposição estará patente na Casa do Professor de 15 de maio de 2026 a 31 de julho de 2026. A entrada é livre.

Contacto: claraboia@casadoprofessor.pt
Morada: Avenida Central, 106-110 Braga
Horário: 2.ª f. a sábado: 10h00 às 18h00