Patrícia Ferreira inaugurou mostra sobre clausura no Recolhimento das Convertidas

Exposição inserida na programação cultural da Casa do Professor


A Casa do Professor inaugurou no dia 22 de abril “33” – uma exposição da autoria da artista bracarense Patrícia Ferreira. Organizada pela Clarabóia – Agenda Cultural da Casa do Professor, a mostra de pintura estará patente até 31 de maio. A entrada é livre.

“33” não surge por mero acaso. Corresponde ao número de desenhos que compõem a exposição, bem como à quantidade de celas do Recolhimento das Convertidas – inaugurado há 300 anos, em Braga, para receber mulheres marginais, transviadas, arrependidas e convertidas, bem como as outras, as supranumerárias, que pagavam um dote para aí serem colocadas.

Este trabalho, que reflete o primeiro período da instituição, pretende ainda homenagear todas as mulheres que foram submetidas ao recolhimento e à clausura – e que por não lhes terem sido mostradas/colocadas outras alternativas viram na Casa das Convertidas um possível modo de vida.

Patrícia Ferreira desenvolve o seu projeto artístico no Atelier Jardim de Santa Bárbara. Formada nas áreas da comunicação e da gestão, nada fazia antever que deixaria o lugar de gestora no setor financeiro – cargo que exerceu durante quase 20 anos – para se dedicar inteiramente à arte.

Assumida contadora de histórias, além da pintura, a artista dedica-se ao desenho, à ilustração, ao cartoon e urban sketching. Conduz, ainda, oficinas e workshops. Muitas das obras da artista são de natureza autobiográfica, mas também gosta de criar nos campos da poesia visual, do humor sarcástico, das personagens extravagantes, da história e de capturar instantâneos do quotidiano.  

Recentemente, a artista tem concentrado a sua atenção na conceção de obras que refletem sobre o dilema da obediência/desobediência feminina. Veja-se o exemplo da exposição Maria(s) da Fonte: sete rostos do Minho da atualidade, que também já esteve patente na Casa do Professor.