Os Projetos ERASMUS+ no apoio ao desenvolvimento de uma educação humanizada e humanizante.

Nenhum continente com a dimensão da Europa apresenta, historicamente, uma tão grande variedade de manifestações culturais, linguísticas e institucionais. Esta constatação mobilizou os defensores da unidade europeia para a urgente necessidade de integrar todas as formas de expressão, fruto de uma História que, na sua raiz comum, tem idiossincrasias que enriquecem a sua identidade.

A tolerância e o respeito por esta diversidade exigem um permanente aprofundamento do conhecimento dos direitos que regem o modo como os seres humanos, individualmente, vivem em sociedade, bem como a sua relação com a tutela e as obrigações que esta tem em relação a todos e a cada um (unicef). Ao assumir-se a relevância da heterogeneidade que caracteriza os cidadãos europeus, torna-se vital a assunção urgente de um compromisso para com as diferenças.

A Estratégia para a Inclusão e a Diversidade, a título de exemplo, abrange todos os domínios do programa ERASMUS+ e visa o apoio a ações relacionadas com a Inclusão e o respeito pela Diversidade, através da eliminação de obstáculos que possam surgir em diferentes fases de desenvolvimento humano, com a criação de oportunidades criativas e inovadoras.

O Projeto (IN)School – Developing Skills for Life, cofinanciado pela Agência Portuguesa erasmus+, Educação e Formação, e coordenado pela Casa do Professor, com o contributo de seis organizações, oriundas de quatro países, contribuiu durante três anos para a mitigação das diferenças sociais existentes nas escolas, assumindo como estratégia a urgência da personalização efetiva do ensino em sala de aula.

O (IN)School apoia uma educação humanizada, no sentido em que responde de forma individualizada às necessidades de cada aluno. Com esse objetivo, desenvolveu uma aplicação informática que permitiu avaliar, caso a caso, o nível de desenvolvimento das funções executivas de cada uma das cerca de 400 crianças (entre os 5 e os 7 anos) e implementou uma ação assente num conjunto de nove recursos pedagógicos.

As funções executivas referem-se a diversas competências, relacionadas, essencialmente, com a ação voluntária, a inibição comportamental e o planeamento complexo da resolução de problemas. Estas competências específicas são, não apenas críticas para lidar eficazmente com as exigências e desafios da vida quotidiana, mas também essenciais para um desempenho académico de sucesso (Diamond & Lee, 2011). O projeto (IN)School, sustentado pela literatura especializada (Anderson, 2002), reconhece que as referidas funções se desenvolvem segundo uma trajetória específica, a partir da infância, e progridem para competências mais complexas na idade adulta.

É neste quadro que a universalização da oferta da educação pré-escolar dos 3 aos 5 anos se apresenta como crucial para criar os alicerces indispensáveis ao integral desenvolvimento da criança e garantir o seu sucesso. O (IN)School reforça a importância de se agir neste nível de ensino, tendo para o efeito realizado um vasto leque de formação certificada para cerca de 1000 educadores e professores de vários países europeus, num volume total de cerca de 35000 horas.

Um outro contributo de enorme relevância deste projeto de referência passou pela criação da Sala Meraki, no Agrupamento de Escolas de Maximinos, em Braga, centrado no conceito de sociedade inclusiva (ONU, 1981) e no reconhecimento do papel das organizações governamentais e não governamentais, das escolas e das empresas para a operacionalização das políticas de diversidade.

Estes projetos são, sem dúvida, uma das vias mais importantes para promover o desenvolvimento da humanidade a partir de realidades concretas, gerando oportunidades de participação social, sustentadas em ações de cooperação, que contribuem de forma efetiva para melhorar o Mundo.


O projeto (IN)School – Developing Skills for life é coordenado pela Casa do Professor e cofinanciado pelo Programa Erasmus+ da União Europeia. Saiba mais sobre este projeto em: www.in-school.eu